segunda-feira, novembro 12, 2012

je t´adore!

            Por quatro longos anos vaguei pela escuridão. Perdida no labirinto do esquecimento de mim mesma seguia em frente pelo impulso de existir, pela responsabilidade de todos os dia, pela inexorável covardia  de nunca me deixar vencer!
            Numa dessas curvas escuras e sombrias, nesse emaranhado cibernético que nunca vou entender muito bem, vislumbrei você e, sem pretensões tentei um contato. Você respondeu e tudo mudou. Aos poucos o mundo foi retornando a ter cor e eu, sem  entender o que estava acontecendo, via os sabores voltando, o sol ressurgindo e uma outra eu nascendo, aos poucos, lentamente.
            As pressões continuavam e havia todo tipo de razões para o cinza se instalar, mas você havia me dado uma palheta nova de cores fortes, pinceis de excelente qualidade e uma tela nova, enorme, toda em branco...Você me devolveu as palavras. Eu era, novamente, um ser capaz de me comunicar com o mundo. Eu tinha palavras, sabia escrever!
Minhas amadas palavras que me haviam abandonado, novamente se aninhavam em torno de mim, surgiam do nada, brotavam no meio da noite. Eu não estava mais só, eu tinha minhas palavras e as tintas para colorir a vida!
Assim, a cada dia, fui ressurgindo nova, produto das suas mãos maravilhosas. Obra sua, sua Pietá, sua Violetera!
Mãos seguras me ensinaram o caminho para encontrar a deusa interior, a mulher adormecida sob tanto tempo de frio e silencio; a palavra firme restaurou a autoconfiança, mantendo a lucidez e a sanidade intactas a despeito de tantas trovoadas!
Pelos seus olhos resgatei a fé que aprendera no berço, com minha avó, a eterna gratidão a um Deus que nem sempre entendemos, mas que nos abençoa a cada dia mesmo que não alcancemos a forma como o faz!
Com você aprendi a dizer “me desculpe”, “errei, vou tentar não fazer mais!”, “gosto de você!”, “você é importante para mim!”... Ora mármore, ora argila, em suas mãos sou versátil, maleável ao seu toque de mestre.
Quando o sol já dormiu e a lua se esconde entre nuvens frias, meus passos ainda cruzam a cidade. Nessa hora em que você dorme entre lençóis macios, meu pensamento pousa suave no seu rosto e deseja ser cada dia melhor para sempre merecer a confiança, o carinho, a atenção que sempre me dispensa.
O impulso que me leva a frente, a polir o material sobre o qual você trabalha para que sua obra seja sempre muito digna de você é que me encoraja a pedir que fique comigo, ainda um pouco mais, fique comigo!
Sou uma obra inacabada e sei que meu pedido parece egoísta, mas se parar para pensar que não há nada duradouro, não há um futuro prescrito para nós, sou eu quem ficará sem chão quando e se nada der certo e chegar a fatal hora em que você tiver que partir... Mas, por enquanto fique ainda um pouco mais!
O futuro é algo sobre o que não temos o direito de sonhar, mas dentro da minha conhecida rebeldia acredito nos impossíveis, nos limites do improvável, e penso que podemos, sim, nos fazer felizes: um ao outro, dentro das limitações que a vida nos impõe, então fique ainda um pouco!
As incertezas, os medos, todos os “ses”, deixemos vagando ao vento. Quando chegarem, se chegarem, veremos como os enfrentar. Por enquanto, fique comigo!
Eu sei que é um risco, a felicidade é uma aposta de risco, é, como a fé, um pulo no escuro. Eu pulo, se você me der a mão!

sexta-feira, outubro 05, 2012

Absurdamente Lindo!

                Sou uma transversal sobre a cama. Minha cabeça roça sua coxa enquanto você fala ao telefone. Estendo o braço e a ponta dos meus dedos desliza pela sua nuca, acaricia seu cabelo macio. Dou-me conta do quanto você está mais bonito hoje!
                A camisa preta caiu-lhe muito bem, realçou a pela alva, os olhos quase claros, a boca prefeita! Deu ao rosto um ar mais jovem, rejuvenescido que combinou muito bem com o Jeans que sugere pernas perfeitas... Encosto minha cabeça na sua perna e me assola uma súbita vontade de tocá-las, voltar a vê-las, embora saiba que temos compromissos a serem cumpridos. Sorrio para mim mesma e silencio meu desejo. Haverá outro dia, outra oportunidade.
                Meus olhos continuam a passear por você analisando cada parte, cada detalhe que vê e meu peito se dilata num misto de admiração, carinho, doçura e orgulho: Você é tão lindo! Esteticamente lindo, humanamente lindo, sexualmente lindo – hummm, ã, não sei se existe isso, mas quero dizer que é o meu parceiro prefeito, que me completa, me complementa .
                Levanta-se rápido, elegante, e delicado. Volta me trazendo bombons. Um sorriso lindo estampado na face luminosa, um sorriso doce e ao mesmo zombeteiro. Um sorriso escondido no canto da boca e estendido nos olhos como uma placa de alerta: nesse momento estou me divertindo e eu sorrio: gosto de ser o seu divertimento!
                Não desejo lhe atrasar e procuro levantar-me rápido, seguindo-o sem contendas ou demoras. Durante o percurso meus olhos novamente se perdem em você, acariciam seu rosto, pescoço, seu dorso, suas costas largas, descem pelas mãos macias, seguras no volante cuidadoso, descem pelas pernas artisticamente esculpidas... Sobre o que falamos? Não lembro, desculpe-me, sinceramente não lembro, mas lembro de como você estava absolutamente lindo, naquela tarde, de camisa preta!

terça-feira, setembro 18, 2012

O que mudou? il mondo, niente di più


            Olho sua imagem apequenar-se em direção ao horizonte.
       Seu passo firme voltou, sua forma sedutoramente despojada de caminhar também.

        Paradoxalmente, quando mais sua imagem se apequena, mais aumenta em meus olhos. Meu coração se dilata numa sensação sempre nova de infinita ternura...
             Perco-me entre lembranças. Um turbilhão de sensações me povoa a pele, uma multitude de lembranças me acode a mente. Há um mundo, uma vida vivida aos pedaços, deliciosas fatias saboreadas contigo, como se sorver o inteiro pudesse nos matar!

              Poderia? Acredito que sim!
             Os remédios, assim como os venenos e as guloseimas, devem ser  tomados em pequenas doses ou causarão grandes males. Assim também conosco: creio que uma grande e constante proximidade poderia envenenar-nos , fazer-nos cair no dia-a-dia que tantas vezes já beiramos.

            Lembro de Paganini e seu concerto com o violão de uma corda e de como passados tantos anos , ainda há entre nós boas novidades a serem compartilhadas. Existem outras, tenho certeza, questão de procurar.

           Meus olhos molhados pelas emoções que me invadem, enquanto conto contas de contar lembranças, lembram da primeira vez que estive na proteção perfeita dessa envergadura de águia. Recua um pouco mais para lembrar como foi difícil atender o telefone, como a voz não saía, como os joelhos se recusaram a manter as pernas firmes... Avança um pouco e não era possível trabalhar naquele dia, pois o pensamento vagava e vagava e quando chegou à hora do almoço havia cola na cadeira: como me levantar se não era possível?
           Meus olhos arregalados diante de tanta beleza, meu corpo tremulo de uma excitação que nunca conhecera, todos os meus medos a flor da pele, toda a certeza de que estava irremediavelmente vencida...Eu ali, diante do máximo entre todos, eu tão pequena, tão incipiente diante de um mestre!

              Eu sob seus lábios em um beijo roubado, eu sob a proteção cuidadosa do seu abraço vencida pela deliciosa ousadia de suas mãos... Diluída numa onde de prazer que desde então só cresceu!

          Eu sem saber exatamente como agir: meu coração explodindo de uma ansiedade louca, de uma emoção descontrolada, meu corpo eletrizado por um desejo que brotava profundo, de regiões que eu nem imaginava... Eu hoje e a   mesma energia percorrendo o corpo,  disparando um coração descompassado quando, debaixo do chuveiro, atendo o telefone...Você está vindo!
             
            Nada mudou além do tempo, nada mudou a não ser que agora me atrevo a lembrar de Paganini e sua serenata de uma corda só!

         Não, não é verdade que nada mudou, tudo mudou!

      Meus olhos se admiram ainda mais quando contemplam toda a extensão que você ocupa, meu ser esborda ante a expectativa de sua chegada, ante a lembrança de sua presença... Você chega e me cobre com seu carinho, com sua pujança, com seu desejo, com sua terna saciedade e quando se vai é como as enchentes do Nilo : eu sou as margens!

Seus Olhos


Já vi seus olhos ardendo, já vi seus olhos chorando, já vi seus olhos sorrindo, já vi seus olhos amando, já vi seus olhos gelados, silenciosamente frios e tive medo... A luz que seus olhos emitem cega, ilumina todos os caminhos, seu fogo incendeia, purifica, exalta, mas o frio corta, navalha que desce cega pela coluna e dobra minha espinha num medo mudo que se traduz em lhe perdi!

Vi muitas vezes seus olhos brincalhões, menino travesso a roubar goiabas do vizinho, jogando bola pelo muro do quintal, roubando um beijo durante o recreio. Vi seus olhos alagados, em enchentes desmoronados, pai aflito, filho impotente, mas vi seus olhos gelados como navalhas afiadas cortando calados um silencio repleto de palavras...

E lhe toquei sem lhe sentir, distante, desconexo, olhar vagante por paisagens que não pude acompanhar mesmo que sua boca estivesse colada a minha, mesmo que seu braço prendesse o meu! Senti seu corpo rijo, alerta e quando olhei seus olhos, eram sérios, não estavam ali!

Os meus, bem,  os meus caíram no vazio e lavaram-se de saudades enquanto lembraram dos seus olhos ardentes, sorridentes, amantes, mas se calaram quando lembraram dos seus olhos gelados, parados, ali no pátio do Fórum, olhos de Juiz de execução criminal, olhos de gelo contidos num tudo bem...E depois disso, todos os dias, meus olhos querem ver novamente os seus, querem ver olhos sorrido, cobiçando, olhos de desejo, sem pejo, sem medo, olhos felizes de menino travesso, de homem satisfeito, olhos ardentes como aqueles que tenho gravados na mente!

Saudades ao fim da tarde!


Há dias como o de hoje, quando os antigos medos voltam a me visitar. Não mais me violentam, agridem, pegam pelo pescoço e torturam até as lagrimas... Não, mudaram de tática, chegam silenciosos, mansamente se instalam na janela, puxam conversa e no meio do nada apenas dizem: eu falei que isso iria acontecer, não falei?  Domingos ás quintas, Natais em novembro e ano novo em Setembro... E meus olhos rebeldes se recusam a marejar!

Sim, eles me avisaram, mas decidi resoluta arriscar a não ter direito de ver o sol escorrer mansamente na tua companhia, abri mão de passear a céu aberto, sorrir despreocupada, chamar teu nome no meio da noite, olhar a água matizada pelos reflexos da lua...

Algumas escolhas são leoninas: não há escolha, pois qualquer que seja a opção feita o que se perde é muito e o que explode dentro do peito é tão mais forte que arrebenta qualquer outra convicção, qualquer outro sentir, mover, pensar...

Foi assim comigo. A qualquer argumento contrário , meu coração, cansado de uma longa procura, só repetia, parodiando o poeta:” Eu sei quem és pra mim. Haja, o que houver espero por ti...” E assim, ainda agora, quando todos esses fantasmas voltam, quando o sol desce no horizonte e desejo que estejas aqui, comigo; quando percebo seu cheiro nos lençóis, na minha pele e por toda casa, como um carimbo poderoso que desperta tantas saudades, que insufla a vontade de te ter comigo, quando tantas e tantas imagens teimam em subir-me aos olhos na afirmativa do quão absurda é esse sentir, toco um fado e repito lentamente:

Haja o que houver
Eu estou aqui
Haja o que houver
espero por ti

( pois )

Eu sei quem és
pra mim
Haja, o que houver
espero por ti...
Ó paixão
Nem a manhã
Apaga a luz que tem a chama do teu belo olhar
Neste silêncio em que eu aprendi
A ficar bem junto a ti
Neste silêncio que descobri
Quando estou bem junto a ti

Devaneios


Sua lembrança me invade forte, presente como só você sabe ser. Seu rosto, seu cheiro, seu toque, sucedem-se ao meu redor e toda sua presença já paira no ar fazendo nascer uma saudade que arrebenta todas as comportas e me transporta a momentos, recordações queridas, contas de guardar lembranças que me ajudam a atravessar os dias, as horas em que não lhe vejo.
Olho as pessoas e a comparação é inevitável: nada, ninguém se parece com você... Não encontro seu porte, sua elegância, sua voz, seu cheiro, tudo único, tudo elaborado com exclusividade para compor  sua figura distinta, maravilhosamente magnífica que tanto e sempre encantou meus olhos e hoje encanta meu ser inteiro!
Num quase delírio, onde realidade e sonho se misturam numa mescla de saudade e desejo, de carinho e atração, num affair que envolve mais que pele, nervos e sensações, vou relembrando a delicia da entrega, o suave e irresistível arrebatamento que é estar entre as portas seguras dos seus braços, abraços de ternura impar, a convocar-me para a vida que corre célere nos portões lá fora...
Aqui dentro, tudo é silencio e paz e o tempo pára para contemplar sua beleza, pára para admirar-se de minha admiração diante da magnitude da sua presença que preenche, de uma só vez, todos os espaços físicos e emocionais ao nosso redor.
Tudo cala, tudo pára, tudo se verga ao seu comando suave e firme, ao seu carinho experiente, ao seu corpo eloqüente no toque que jamais admite silencio como resposta. Todo o meu ser, a uma só voz, deseja sentir você: então, são meus ouvidos que clamam por sua voz e minha pela se arrepia prevendo seu toque, meu coração dispara antevendo seu gosto, sentindo seu cheiro, lembrando das formas perfeitas que se encaixam com desenvoltura e sensibilidade fazendo de mim um inteiro e não mais metade.
Cavalo e cavaleiro tornam-se uma só peça, um só corpo a deslizar em sincronia perfeita pela pista que leva ao prazer. As imagens desfilam vertiginosas: entregar o comando é um prazer inenarrável, uma aventura inimaginável para quem sempre manteve o manche entre as mãos.
Deslizo como um pequeno barco conduzido por navegador experiente e me sinto inteira nessa entrega suave, pequena e protegida, criança que olha a paisagem admirada de tantas novidades.
Onde você esteve durante todo esse tempo?
Porque não me veio acordar antes desse sono profundo? Enquanto eu dormia, a vida corria, a paisagem mudava e eu, cinderela da vida real, adormecida esperava quem me trouxesse a vida, sem jamais acreditar que isso seria possível a alguém!


Qual a melhor roupa para uma mulher?


Atravessa as paginas do conto
A saudade de um dia de verão
Alguns verão que conto  e aumento um ponto
Aumento, mas não invento a emoção
Que a palavra não esconda o que é memória
E ali se encontre a delicia de uma história...
(Lewis Carrol – Alice no País dos espelhos)











Li na publicação de um amigo que a mais elegante roupa que uma mulher pode vestir é o abraço do homem amado! A frase causou-me grande impacto embora não a tenha compreendido completamente no momento que li.

            Ontem, meus olhos, vagabundeando a esmo, pousaram no cabide vazio que dormia indolente e esquecido no puxador do armário. Imediatamente a mente vestiu-o de camisa social, calças cinza de corte impecável e meu corpo exudou um aroma deliciosamente conhecido.
            Num átimo, sua estrutura  larga e quente era o divã sobre o qual me apoiava, enquanto dedos ágeis me precorriam provocando frisson em minha pele. Deixei-me conduzir, dócil, pelos comandos murmurados ao meu ouvido, ä plenitude dos nossos desejos, ao êxtase de nossa busca sempre tão plena de ternura.
            O vento fresco da noite perdeu-se em contato com a tepidez da sua pele e os aromas de jasmim, que insistiam em entrar pela janela, retiraram-se discretos diante do perfume absolutamente inebriante do seu corpo... Naquele momento nada mais havia a não ser nós dois, ninguém mais existia que não fosse você: entre todas as estrelas, a mais brilhante, o sol refulgente que me tinge as retinas...
            Um sorriso terno pousou sobre meus lábios e qualquer observador mais atento teria lido seu nome nas entrelinhas desse sorriso, no brilho que certamente me cravejou os olhos, no cheiro que emanou de mim, mas ninguém viu o espetáculo de minha contemplação senão o cabide ocioso que fôra a testemunha de tão precioso acontecimento. Ele, apenas eu e ele, o cabide, escutamos seu sorriso quase infantil, percebemos seu constrangimento adolescente, observamos sua beleza máscula. Apenas nós dois ficamos absortos pela perfeição do seu talhe, a elegância de suas roupas, a finura dos seus modos, o carinho do seu toque!
            Então, finalmente, entendi a citação do meu amigo poeta: Não há roupa mais elegante em uma mulher que o abraço do homem amado!

Gostaria de ter o dom da pintura para melhor expressar a beleza que guardo registrada em minhas recordações. Palavras são palhetas pobres para descrever sua beleza e tudo que em mim produz, como se um turbilhão de cores me invadisse  em forma de emoções .

Ergo os olhos e contemplo sua cabeça reclinada sobre minhas espáduas. Digno de Monet, caber-lhe-ia o nome de suave descanso ou doce arrepio, pois é o que sinto quando seu rosto toca minha nuca com a branda firmeza de quem sabe o quer e como conseguir.

Semicerro os olhos para apreender o espetáculo de suas mãos que, ladeando minha cabeça, equilibram com graça o peso do seu corpo, toda essa majestosa envergadura que tanto me fascina. Para elas, suas mãos, não mais que uma pena, um equilibrar-se seguro na força dócil dos seus braços de Adônis.

Como descrever, sem tintas ou pincéis, sem a virtuose de um Botticelli, de um Rafael, o perfeito encaixe dos corpos nas ondulações sensuais de momentos únicos? A perfeição de um sorriso que parece descer diretamente dos querubins para avalizar o gosto de um momento irretocável?

Como descrever o abraço que me tira o fôlego e me devolve a vida sem parecer contraditória? Palavras restringem o que a imagem alarga. Minha cabeça afundada no seu peito e o cheiro de terra quente, o toque macio da pelagem farta, o carinho perfeito na hora exata...

Gostaria de ser pintor, mas não o sendo, gostaria de ser poeta e exaltar em odes perfeitas, versos alexandrinos, toda a exuberância que me invade quando seu corpo toca o meu...

SE UM PEIXE PENSASSE ELE ACREDITARIA QUE O UNIVERSO SE RESUME AO AQUARIO…


Recentemente li um artigo cujo titulo plajeio aqui. O autor conduzia o leitor a refletir como somos condicionados a padrões que nem sequer questionamos se são certos ou errados, nos acomodamos a segui-los porque outros, antes de nós, já seguiram e aparentemente deu certo. Ao final, o autor pergunta: E vc, autor, já pensou se vive dentro de um aquário pensando que vive no oceano?

O título, muito mais que o texto, me fez ficar pensativa. Será que vivo num aquário pensando que navego no oceano? Para o cumulo da coincidência – será que coincidências existem? – hoje, um grande amigo postou uma foto onde um peixinho dourado pulava de um pequeno aquário para um maior e, abaixo da foto, a legenda dizia: pode até não dar certo, mas se não tentar, como saber?

O oceano das nossas emoções vive constantemente cerceado, preso pelas paredes das convenções, o aquário das regras sociais onde navegamos em círculos concêntricos de desejos sufocados.

Há anos atrás abandonei um emprego estável: salário razoável, plano de saúde, ticket alimentação, etc e tal. Fui taxada de louca, irresponsável e tudo que se diz nesses momentos. Nunca me arrependi. Sou muito feliz sendo minha própria chefa, fazendo meu horário, determinando meu ritmo de trabalho, embora tenha que manter minhas contas na ponta do lápis e trabalhar muito e seriamente.

Tudo isso me leva a outra reflexão: Porque temos tanto medo de ser feliz? Porque pensamos que existe uma regra para ser feliz, que temos que caber em determinados parâmetros que as pessoas dizem ser o certo? O que é o certo quando se trata de ser feliz? Gente não é receita de bolo, não existe um manual para a vida feliz que se pareça a um aquário. A felicidade está no oceano, na imensidão do infinito.

Fecho os olhos e pulo. Seus braços me pegam, seguram, impedem o naufrágio. Você me toma pela mão e, com suavidade, me ensina a nadar... Qual o tamanho do oceano?

Há um sol no fundo do oceano e esse sol aquece meu peito e lentamente vou aprendendo que amar vale a pena!

sábado, agosto 06, 2011

Rendição


Criei barreiras para me proteger de você, construí muros, barragens, levantei cercas imaginárias, proteções intelectuais, me convenci de sua partida enquanto seu cheiro era tatuado em minha pele.

Contei a mim mesma, inúmeras vezes, como seria sua partida e a mim mesma respondi que não sofreria porque tudo era sazonal, passageiro...

Deixei claro, em longos e coerentes discursos internos, que você não era mais que um acidente eventual de percurso, enxuguei a possibilidade de qualquer lágrima, vesti-me da couraça indiferente e parti segura ao encontro dos seus braços

Você cresceu dentro de mim. Suas águas se avolumaram, fizeram pressão contra as paredes criadas, arrebentaram a barragem, inundaram meu ser e, de repente, tudo que eu tinha para me mostrar o caminho era a sua imagem gravada em minha retina.

Quase afogada, submersa nos meus próprios sentimentos, seu braço me vestiu no abraço salva-vidas que manteve minha cabeça à tona. Respiro e o ar está impregnado do seu cheiro. Encho os pulmões quase colados, a vida retorna lentamente. Abro os olhos e vejo você.

Seu sorriso menino, tão homem, é  sol que esquenta e acalenta e só saber-lhe é suficiente para dilatar-me em vida.

Abraço seu tronco perfeito e me aninho na curva do seu braço. O abraço que me veste, conta as vértebras distraído, tem a perfeita sincronia de estar em casa, no ninho.

Meu sorriso suave, escondido no manto do seu peito, reconhece a ineficácia de minhas proteções... Você faz parte de mim!


quarta-feira, julho 20, 2011

Sensações...Suas...



Nunca me canso de olhar você! A agilidade do seu caminhar leve, a juventude elegante dos seus modos me encanta tanto quanto a beleza sóbria do seu corpo, a magnetude da sua personalidade, o imã que existe em seu olhar, o encanto escondido na sonoridade da sua voz.
Não sei como lhe desejo mais: se quando longe e minha imaginação vagueia a sua procura, fantasia sobre o que está fazendo, como está vestido, em que se ocupa ou se quando, à minha vista, posso ficar estasiada nessa contemplação infinita.

Mergulho no seu olhar em busca de mim mesma. Estou lá no fundo, criança brincando de arco-íris. Afundo minha cabeça em seu peito e seu cheiro me resgata, me tonteia, seguro em seus cabelos para me manter à tona dos meus próprios desejos.

Insanos desejos de tê-lo meu por mais uma hora, por um dia, uma semana, só mais uma noite, uma vida inteira...

E a fugacidade do momento o perpetua como o sabor de um chocolate que comemos sabendo ser, talvez, o último da caixa. Espalha-se pela língua, toma conta do corpo, impregna na alma e faz de você um pedaço perene de mim.

Um dia terá que partir – e tantas vezes já ensaiou esse movimento – um dia terei que deixar-lo ir. Não sei pensar esse momento, não imagino como vou me sentir. Não quero, não estou preparada para vê-lo ir.


Acordo sobressaltada, você não está aqui. Alcanço o telefone que pisca, não vamos nos ver, me viro, tento dormir, não consigo, quero seu abraço, seu beijo, meu peito arfa, sinto saudades...

terça-feira, março 01, 2011

Sensações



                Gosto de ver minhas unhas vermelhas em contraste com tua pele alva, grito de minha alma presa entre os dentes, derramada pelos meus olhos quando retenho teu rosto entre minhas mãos.

                Meus olhos, crianças travessas, enchem-se de brilho – sinto-o no mais profundo de mim – como se o sol nascesse dentro da minh’alma quando te contemplo e tua beleza – mais que um conceito estético, um sentimento – se irradia por inteiro.

                Sou menina deslumbrada, homem diante da imensidão, e me perco na profundidade dos teus olhos que sorriem.

                Os dedos que percorrem minhas costas, num carinho casual, tocam uma melodia escrita nas nuvens, evocam a imagem elegante e imponente que num relance meus olhos captam a qualquer distancia e percebem extasiados o quanto estás além de todo o mais!

                Em ti, nada é casual. Nada é usual. Há sempre uma solenidade, um elegante rigor, mesmo quando se estouram bolhas de sabão ou se cai em êxtase profundo, cansados e completos, meninos levados que somos.

                De olhos fechados, vejo-te parado : mãos na cintura, camisa clara, calça preta e uma beleza que fere os olhos...Um sorriso escondido, talvez por isso mesmo fascinante, que prende o olhar e domina a mente. Como não seguir-te, como não encantar-se contigo?

                Embalada em minhas lembranças, sinto teu cheiro e teu abraço me conforta ao longe. Ouço tua voz a contar-me estórias e histórias, tempos pretéritos e presentes, a compartilhar momentos , eventos, paisagens da tua vida que tanto me encanta visitar.

                Contando as contas de contar lembranças, meu peito se enche de orgulho pelo tempo que temos compartilhado, por tantos momentos, pela ternura que muitas vezes surpreendo no teu olhar e se dilata na esperança, sempre temerosa,  de prolongar esse tempo por um espaço incomensurável.

                Teremos mais tempo, teremos mais calma, e, como a fruta que amadurece lentamente, vamos em sincronia, nos encaixando, nos buscando, partindo  cada dia mais juntos nessa aventura que é o pulo no infinito das sensações.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Por dentro das memórias

Sentada na varanda da memória assisto sua partida.

As belas pernas – que o short preto sempre realça – como colunas jônicas de estrutura perfeita, a envergadura de águia, a tração suave de braços cujo abraço paralisam o tempo, mantendo afastados o mundo e seus turbilhões...

A rosa venezuelana , boca macia de corola vermelha, parte em busca de outras abelhas que lhe sugem o néctar, casou-se de mim, do meu volteio incerto e tantas vezes turbulento.

Custou-me crer, e em registros sobrepostos, vi os olhos que sorriam, as curvas que se encaixavam perfeitas num vai-e-vem fantasticamente sincronizado, um balé sem prévio ensaio, mas sempre eivado de absoluto sucesso.

Atônita, vejo dar a volta, e seguir em frente, a mesma pessoa que me impediu, um dia, de ir. ouço, ainda, os ecos de sua voz me pedindo que voltasse, que ficasse. Recordo o abraço apertado, o pedido quase suplicado e me sinto meio enganada. Abandonada, seria o mais correto.

Numa análise rápida, alguns diriam perfunctória, mas não gosto dessa palavra – palavras tem cheiro e cor e esta fede a pus, parece podre – faltou-lhe sentimento, investimento pessoal, alicerce para o relacionamento.

Alguns dizem que os homens são caçadores, adoram abater a caça; outros que são gourmet, interessam-lhes a boa comida e por fim alguns afirmam que os homens são guerreiros, estimula-os o perigo, a adrenalina da guerra, os despojos da vitória.

Talvez caçador, talvez gourmet, guerreiro não creio que se aplique as memórias que trago aqui, pois para ser guerreiro faz-se necessário amar a guerra, o perigo, a disputa, ter em si o destemor cauteloso dos generais, ter no sangue a paixão quase ágape pela causa em questão ...

Ao invés, os pés distanciam-se assustados como o cervo na floresta que ouve o estalido do galho e já se imagina presa do bisão, então corre e vence distâncias quando muitas vezes nada mais foi que o eco longínquo de um pintassilgo!

Contemplo mais uma vez minhas lembranças: parte de novo, novamente. Por quanto tempo? Para sempre? Não sei se voltarás, não sei se voltarei... Tudo que sei é que não era esperado e sinto-me extenuada, como se por dentro, tudo vazio, não existisse nada além do silêncio profundo e das palavras sábias de meu velho pai!

domingo, janeiro 30, 2011

Insensatez

É a insensatez que nos permite enxergar além do obvio, a maioria das pessoas não enxerga porque se orgulha de ser sensato, viver conforme as regras.

Acordei lembrando de um texto do grande e querido Ruben Alves – amor platônico, é claro, intelectual, mas profundamente enraizado em mim desde que meu professor de filosofia , nos antigos anos de faculdade, nos passou seu livro o Amor que acende a lua – chamado a Mariposa e a estrela.

No conto em referencia, a jovem Mariposa se apaixona por uma estrela e contrariando todos os conselhos de sua mãe, toda a tradição de sua família, tenta alcançar a estrela para demonstrar o seu amor. Voa cada dia um pouco mais alto na tentativa insensata de alcançar os céus.

As críticas são apenas um estímulo a mais, embora esmaguem seu ânimo e seu coração sensível. Resolve sair de casa para perseguir seu sonho com mais tranqüilidade. Muito tempo depois volta e descobre que toda a sua família já morreu em decorrência das queimaduras de lâmpadas causadas pelos amores tradicionais, normais, pacificados como sendo o certo. Apercebe-se então que sua busca a tornou melhor, mesmo não tendo alcançado a estrela.
Conheceu montanhas e vales, viu o amanhecer e o anoitecer, contemplou o mar e os céus de uma forma que mariposa alguma jamais o fez.

Viveu muitos anos a mais que seus familiares e teve a irrepreensível certeza de que, em geral, “os amores difíceis e impossíveis trazem muito mais alegrias e benefícios que aqueles amores fáceis e que estão ao alcance de nossas mãos.”
É assim que me sinto, como a Mariposa voando em direção a estrela impossível de alcançar, mas aprendendo a cada dia um pouco mais, vislumbrando paisagens que dentro do senso comum jamais conseguiria ver. Aprimorando-me como pessoa, como ser humano, como mulher e mãe, como filha, companheira.

Tentar alcançar minha estrela – que posso, no máximo, tocar com a ponta dos dedos por momentos fugazes – tem me valido um enorme aprendizado. É como seu eu fosse a pedra bruta da qual Michelangelo tirou a Pietá, David, Moisés...

Por seus olhos tenho compreendido mais quem sou e o que sou, meu entorno familiar, meu corpo, minhas emoções e nem adianta alguém vir me dizer que é insensatez : enquanto for possível, vou voar na órbita insensata de alcançar minha estrela.

Que me ofusque a luz do seu olhar, que me sufoque a força do seu abraço, que me perca na saudade da distancia, no cansaço do vôo, mas que haja a órbita a me guiar para que possa dizer como o poeta: Eu gosto da falta quando falta mais juízo em nós / E de telefone, se do outro lado é a sua voz / Adoro a pressa quando sinto / Sua pressa em vir me amar / Venero a saudade quando ela está pra terminar / Baby com você chegando já...

O mundo, Deus, está com aqueles que têm coragem para sonhar e perseguir seus sonhos!

sexta-feira, novembro 19, 2010

Simplesmente eu





            No turbilhão de todas as palavras que não tinham como ser ditas, no maremoto de tantos sentimentos, aquele abraço era a gota de orvalho que desce suave sobre as folhas das árvores após um tórrido dia de verão.

            Era o frescor da brisa suave, aquela que vem do mar no final da tarde, remexendo com suavidade os fios curtos dos cabelos tingidos com a esperança ilusória de retardar a vida em seu ritmo próprio.

            O aconchego reverberou nas palavras doces, no tom suave, quase paternal: “Não tem do que pedir desculpas, moça!...” O som projetou, na retina, a imagem refletida no espelho e as lágrimas acudiram rápidas, embora reticentes.

            Sentiu-se envolvida ainda mais fortemente. Naquele instante nada lhe conseguiria atingir, não ali, naquela fortaleza inexpugnável e por alguns instantes sentir-se acolhida, entendida, amada, protegida, era muito mais que tudo.

            Não era necessário usar máscaras, ser forte, incorruptível, sempre certa, absolutamente impecável. Ali, naquele pequeno espaço, podia correr descalça, tomar sorvete e deixar escorrer pelo canto da boca, chorar de medo, gargalhar de prazer, sentar-se de pernas para cima, em cima da mesa, debaixo da cama. Plantar bananeiras, sentir preguiça, ser criança, mulher ou anciã... Podia ser simplesmente o que era e isso era muito para alguém que sempre teve que ser um personagem, um super-herói, uma ficção.

            Um sorriso aflorou no coração e sua alma entoou um cântico de gratidão: Nunca recebera um presente mais valioso na vida que esta oportunidade de ser simplesmente o que era!

quinta-feira, setembro 02, 2010

Encontro Casual

Encontraram-se, esbarraram-se pelas calçadas da vida, assim como não quer nada, sem razão ou causa.
Um terno azul e uma camisa branca. Um vestido preto, longo, de pequenas flores coloridas, uma blusa amarela. Esbarraram-se e desse encontro surgiu o desejo, a esperança. Brotou de um olhar, de um pensar involuntário, de um perfume no ar, a remota e intangível esperança de ser feliz.
Esperança de SER. O que seria ser para alguém que nunca foi? Deram-se os braços, aos abraços tatearam a descoberta sem saber ao certo, sem luz do sol, sem espaços abertos, mas com o toque decerto do cetim... Perfume de jasmim e lavanda ao sol da manhã, jardins de bergamotas e tantas corredeiras, trepadeiras, rosas mil.
O tempo passou por eles sem serem notados, sem jamais estarem rotos ou amarrotados, brincando no jardim do Pai eram filhos felizes em seu encontro inusitado.
Na Constancia desse brincar eterno nasceram a esperança e o desejo, quase gêmeos, e como Esaú e Jacó, o desejo veio segurando o pé da esperança que mansa cedeu seu lugar e força. O desejo alimentou-se de cada dia, de cada olhar e hora. Cresceu e floresceu forte e vital quase matou a esperança que aos trancos e barrancos insistiu em crescer.
Magra e mirrada, apagada como um não existir, não era vista e nem sentida, mas estava ali. Esperança de sempre quando se sabia nunca, esperança de um dia para o jamais, esperança de sempre para o só agora.
Foi quando o vendaval suspendeu o abraço e separou os braços que  a esperança mostrou sua força. Resistiu bravamente enquanto o desejo se consumia. Foi forte e disse resoluta: quem sabe um dia e ainda está lá, calada, esperando enquanto o desejo se desespera, descabela e quer que o tempo seja ontem...
Esperar é tudo que a esperança sabe fazer e esperar é uma forma de amar!

quarta-feira, agosto 18, 2010

Eu e o Coelho Branco

O coelho branco passa correndo. Consulta seu relógio de algibeira e repete  compulsivo: estou atrasado, estou atrasado... Perde-se  no final da rua, ao norte, enquanto se ouve o eco de sua voz: estou atrasado, estou atrasado.
                Levanto-me disposta a segui-lo, tal como Alice, sabendo no entanto que o coelho branco é a realidade de todos nós, é a minha realidade, sempre atrasada, chegando sempre depois da hora, quando a festa já terminou, quando não há mais lugares disponíveis a não ser na janela.
                Enxugo as grossas gotas de chuva que insistem em escorrer pelo meu rosto. Chove. É inverno na praça do meio do mundo, não obstante,  do oeste, vem um suave fragor de rosas. Aspiro-o. O bouquet está impregnado em mim, gravado no fundo das minhas pupilas, revejo o jardim onde rosas , bergamotas,   limões e mandarina misturam-se a limas da pérsia e enchem o ar com fragor das manhãs.
                Não posso permanecer ali, parada, na chuva. A vida urge, alguns dizem que ruge.
                Sigo o rastro do coelho branco, ele é a realidade. O jardim é só fantasia, é só o mundo de Alice e a fantasia há muito me foi negada!
                Estou atrasada, estou atrasada, estou  cansada!...

sexta-feira, julho 30, 2010

Entre Estações



E seus olhos se encheram da beleza contida na poesia do olhar, na ternura do perfume que atravessava o tempo e batia à porta dos sentidos para dizer olá! Sua pele estendeu-se numa fusão de aromas e texturas e a vida começou a resfolegar num crescente que ao modo de volutas elevava-se ao infinito.
Escorreram pelo azul doce de um céu sonhado perdendo-se no quase nada de uma trilha marcada por riscas de giz e no espaço que se ia abrindo a vida aflorava em plena primavera.
Os campos floriram à meia noite e o inverno se afastou célere para deixar espaço às rosas que apareciam e nos olhos de estrelas viu-se o sol que renascia!

E se as flores resolvessem desabrochar em pleno inverno, como ficaria a primavera?

E o fogo chegou sufocando tudo, destruindo a paisagem que insistia em nascer apesar do inverno, tentando matar a vida, como se vida após surgir pudesse ser sufocada. Na sua fúria, murchou as rosas, fez crescer os espinhos e encrestou a face da terra fazendo sua face corar de águas pingadas. Elevou suas mãos em direção ao firmamento na tentativa inútil de destruir as volutas de prazer que subiam como oferendas de incenso. A terra fechou-se em si mesma e abraçou os brotos de vida para os proteger do calor excessivo, o inverno curvou-se sobre ela refrescando seu coração com ternura, escondendo-se nas dobras da noite distante e o céu sorriu vendo seus filhos brincarem de até mais...

E se a chuva lavasse as cinzas e fizesse os brotos nascerem mais fortes?

terça-feira, julho 20, 2010

Fado das Dúvidas


Madredeus

Composição: Pedro Ayres Magalhães
Se já não lembras como foi
Se já esqueceste o meu amor
O amor que dei e que tirei
Não queria lamentar depois
Mas uma coisa é certa eu sei
Não tive nunca amor maior
E ainda vivo o que te dei
Ainda sei quanto te amei
Ainda desejo o teu amor
Não tenho esperança de te ver
Não sei amor onde andarás
Pergunto o todo o que te vê
E nunca sei como é que estás
Agora diz-me o que farei
Com a lembrança deste amor
Diz-me tu, que eu nunca sei
Se voltarei ou não para ti
Se ainda quero o que sonhei

http://www.youtube.com/watch?v=8kjy2GbyfcU